segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lágrima de preta de António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.



Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.



Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.



Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:



Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


Assunto:





Este poema faz a referência ao sujeito poético que decide analisar uma lágrima de uma preta, para mostrar que esta era igual a todas as outras.

A lágrima é usada como um "símbolo", pois o que o poeta quer realmente provar é que não é a cor da pele que influência a maneira de ser de uma pessoa.

Analise do poema--> Figuras de estilo:

Como se dá para notar este é um poema bastante simples, constítuido por cinco sílabas métricas. As figuras de estilo por mim encontradas são as seguintes:
> "Mandei vir os ácidos , as bases e os sais"( versos 13, 14), encontra-se aqui uma enumeração dos materiais usados na experiência, para poder demonstrar que está a fazer a experiência com rigor.
>" Ensaiei a frio experimentei ao lume"(versos 17,18), o frio e o lume estão relacionados a uma antítese. Mais uma vez o sujeito poético mostra todo o rigor que teve ao realizar a sua experiência! Analisou a gota com todo o rigor ciêntifico para poder concluir de maneira correcta o que queria.
>" Nem sinais de negro nem vestígios de ódio"(versos 21, 22), nestes versos existe nitidamente uma metáfora. A metáfora usada nestes versos serve como conclusão de toda a sua experiência cientifica, são os resultados que o sujeito poético obteve com aquela experiência. Com esta análise o sujeito poético pretendia encontrar diferenças que poderiam existir naquela lágrima. Ele concluí e mostra-nos que aquela lágrima é igual a todas as outras, não encontrava nem ódio nem vestígios de negro, não era por ela partir de uma preta que iria ter constituição diferente!
"Água(quase tudo) e cloreto de sódio!"

Opinião sobre o poema:

Este poema que aqui deixei, foi um poema que analisei em aula.

Decidi de imediato apresentar este poema, pois penso que vai de encontro a um problema muito actual-->O RACISMO.

Não é a cor da pele que faz uma pessoa, não é por ser preto, ou branco que vai ser diferente. Todos somos formados da mesma maneira, todos temos defeitos, temos qualidades Ninguém é superior a ninguém.

Apesar de diferentes somos todos iguais.