segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lágrima de preta de António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.



Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.



Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.



Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:



Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

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